À cada curva da Alaska Highwawy, uma nova surpresa: paisagens maravilhosas se alternam, transformando a viagem em puro prazer. É bom lembrar que um motociclista tem 180º de visão, ou seja, além de manter o olhar firme em frente, fixo na estrada por onde vai passar, sua visão
periférica enxerga tudo o que está nas duas margens. Acho que esta é uma das razões que leva as pessoas a gostarem de motos.
Mas, e as paisagens? Nos dois lados da estrada, sempre floresta de pinus a perder de vista, somente interrompida por lagos ou rios. Ao longe, montanhas cobertas de vegetação ou rocha pura, manchadas com o branco da neve, formando um todo muito harmonioso.
Subitamente, a contemplação é interrompida. Um enorme bisão pasta tranquilamente, logo ali, à poucos metros da estrada. O Road captain alerta, e todos rapidamente posicionam suas câmeras. Ninguém quer perder a oportunidade. O enorme animal parece não notar nossa presença. Nem mesmo o poderoso ronco das cinco Harleys o assusta. Fotos feitas, segue o "trem". Logo à frente, aparece outro bisão, e mais outro, e depois uma manada deles. Todos muito calmos. Parecem mais preocupados em escolher e saborear as folhas mais tenras e frescas do capim umedecidas pelo orvalho da manhã, do que com a movimentação daqueles 6 ET's, vestidos de preto, que procuram os melhores ângulos para fotografar. Em 1991 o bisão estava à beira da extinção, com poucas cabeças no território canadense, em torno de 10.000. Hoje há cerca de 200 mil nas fazendas, e a extinção parece não ser mais um problema.
E os ursos? Cadê os ursos? Nada deles. E os veados? Nada também. E os alces, os caribus? Nada. Será que o apito, o tal apito supersônico para espantar veados, que ontem colocamos nas motos, espanta outros animais também? Alguém já cogitou em remover o tal apito. Vamos levar o assunto à pauta, na próxima reunião do grupo.
Preocupado com a fauna local, quase me esqueci do breakfast de hoje. Nos foi servida a famosa panqueca canadense, lambuzada com Syrop Mapel, a geléia cuja matéria prima é extraída do tronco da Mapel Tree, aquela árvore cuja folha é o símbolo do Canadá. Delícia! E para completar, delicados mufins de blueberry, que se desmanchavam na boca.
Em Watson Lake, um compromisso: fixar as nossas placas do PHD no Sign Post Forrest, ao lado de dezenas de milhares de placas fixadas por viajantes do mundo todo, que por ali passaram. Essa tradição começou em 1942, durante a construção da Alaska Hwy, com os engenheiros do exército dos Estados Unidos, que colocaram em um poste placas com direção e distância de várias cidades do Canadá, dos Estados Unidos, e do mundo todo. Hoje em dia, a tradição é perpetuada com auxílio dos turistas, que até 2007 já haviam deixado mais de 48.000 placas no local.
Além disso, Watson Lake é também conhecida pela magnífica visão da aurora boreal. Aurora boreal (nome batizado por Galileu Galilei em 1619 em referência à deusa romana do amanhecer Aurora e ao seu filho Bóreas, representante dos ventos nortes) é um fenômeno óptico composto de um brilho observado nos céus noturnos em regiões próximas a zonas polares, em decorrência do impacto de partículas de vento solar e a poeira espacial encontrada na via láctea, com a alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético terrestre.
Chegando em Whitehorse, a capital do estado do Yukon, outra surpresa: o barco SS Klondike, totalmente restaurado, e instalado em terra firme, hoje é um museu que retrata o período em que este meio de transporte foi o responsável pela movimentação de cargas e pessoas, através do rio Yukon. O barco (museu) é considerado Patrimônio Histórico Nacional. Foi um dos primeiros barcos à vapor com rodas de palheta à popa da história.
A economia de WhiteHorse, anteriormente baseada principalmente na extração de minérios, é atualmente baseada no turismo. É tida como a cidade mais seca do Canadá, devido à sua localização.